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em mil novecentos e setenta e quatro eu tinha quatro anos.. estava em lisboa.. perto da carlos mardel.. quando os tanques começaram a descer a alameda.. os soldados sorriam.. lembro-me de ter perguntado à minha mãe o que era.. e de ela ter apressado o passo e dizer: vamos para casa.

 

com quatro anos eu já sabia como é que uma gravidez acontece, para grande escândalo das senhoras que estavam na padaria.. a minha irmã do meio tinha nascido um ano antes.. mas não tinha memória do meu pai no ultramar.. nem tinha consciência que vivíamos numa ditadura.

 

nas duas décadas seguintes, no vinte e cinco de abril, havia alegria.. as pessoas sabiam o valor da liberdade.. era uma celebração e não um dia de reivindicações.. eu sou uma privilegiada.. a vida trouxe-me ao mundo quando a democracia nasceu no meu país.

 

eu sei o sabor da liberdade.. sabe a ganhar uma bicicleta e pedalar ao sabor do vento.. sabe a brincar na rua com os outros miúdos até anoitecer.. sabe a comprar um quilo de pastilhas elásticas com cinco tostões e ainda ter troco.. sabe às famílias saírem em passeios higiénicos a seguir ao jantar..

 

sabe às portas de casa destrancadas.. sabe a subir ao palco aos onze anos para recitar os meus poemas.. sabe a dormir num colchão de palha criado pela sabedoria da minha avó.. sabe a apanhar espinafres selvagens em jardins públicos.. sabe ao céu estrelado.. sabe a estar viva.

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